2º LATAM ESG 2015 debate inserção das questões
ambientais, sociais e de governança na análise de investimentos
RODNEY VERGILI e SANDRA
RIBEIRO
A Apimec (Associação dos
Analistas e Profissionais de Investimento do Mercado de Capitais) e a EFFAS
(The European Federation of Financial Analysts Societies) promoveram o 2º LATAM
ESG 2015. O evento foi organizado pela Apimec SP e ocorreu, em 6 de outubro de
2015, na BM&FBOVESPA, em São Paulo (SP).
Lucy Sousa, ex-presidente da Apimec Nacional e
atual conselheira da Apimec SP, abriu a solenidade e agradeceu palestrantes,
patrocinadores, apoiadores e participantes.
Edemir Pinto, presidente
da BM&FBOVESPA, ressaltou - em vídeo especial para o evento - o avanço das
discussões a respeito da inserção das questões ambientais, sociais e de
governança corporativa na análise e tomada de decisão de investimentos.
Abertura
Sonia Favaretto, presidente do Conselho
Deliberativo do ISE (Índice de Sustentabilidade Empresarial) e diretora de
Imprensa e Sustentabilidade da BM&FBOVESPA, destacou que o 2º LATAM ESG
2015 marca a importância do tema e agradeceu a parceria com a Apimec e EFFAS.
Reginaldo Alexandre, presidente da Apimec
Nacional (Associação dos Analistas e Profissionais de Investimento do
Mercado de Capitais), agradeceu a parceria com a BM&FBOVESPA e com a EFFAS,
e lembrou que as informações sobre questões ambientais têm apresentado “um
salto qualitativo”.
Jesús López Zaballos, presidente da EFFAS,
enfatizou a importância de se investir em treinamento e destacou os esforços da
entidade de fornecer cursos, citando, por exemplo, o “Summer School” ocorrido em
julho de 2015, em Madrid, com duração de dois dias (http://effas.net/events/summer-school.html).
Painel "Diálogo com Investidores sobre Investimentos Sustentáveis (o que é
material para a análise e decisão de investimentos? Dos Princípios aos
Indicadores de Performance)"
Em sua palestra, Maria
Lettini, Associate Director of Networks and Global Outreach do PRI
(Principles for Responsible Investment), discorreu sobre os seis princípios (http://www.unpri.org/about-pri/the-six-principles/)
reconhecidos pelas Nações Unidas para ESG (do inglês, Environmental, Social and
Governance, ou seja, questões ambientais, de responsabilidade social e
governança corporativa). Lettini afirmou que a missão do PRI é criar um “sistema
financeiro sustentável”.
Frank Klein, Executive Management Commitee of
EFFAS & Deutsche Asset & Wealth Management, disse que incorporar as
questões ambientais, de responsabilidade social e governança corporativa nas
análises exige mudanças na mentalidade dos profissionais de investimento e das
empresas, isto é, “é preciso ter o pensamento integrado”. Klein ressaltou que
não há mais como relevar a materialidade das informações ambientais, sociais e
de governança na análise e decisão de investimentos. “Disclosure envolvendo ESG
é fundamental”, frisou.
Susana Peñarrubia Fraguas,
Diretora da Deutsche Asset & Wealth Management e EFFAS Representative, apontou,
também, a importância do Relato Integrado para uma melhor avaliação das
empresas e para “o desenvolvimento da materialidade das informações?”.
Brunella Isper, Investment Manager
do Global Emerging Markets Equity Team da Aberdeen Asset Management,
afirmou que a instituição trabalha com perspectivas de investimentos com média
de retorno para oito anos. “As questões ambientais, de responsabilidade social
e governança corporativa são bastante relevantes em análises de investimento de
longo prazo”, frisou. “O nível de governança influencia diretamente nas
empresas que iremos investir, assim devemos incentivar empresas que buscam
oferecer informação de qualidade e boas práticas como as do Novo Mercado da
BM&FBOVESPA, gerando valor futuro para os acionistas”, declarou.
Fabio Cefaly, gerente de
Relações com Investidores da Natura, disse que pelo próprio nome a empresa
nasceu com o conceito de preocupação com o meio ambiente e destacou os esforços
da empresa em proporcionar informações relevantes para os acionistas e públicos
de interesse por meio do Relato Integrado. Cefaly ressaltou, ainda, a extrema
necessidade de os interesses de importantes investidores nacionais e
internacionais serem contemplados nos modelos de análise de investimentos.
Lika Takahashi, analista-chefe e estrategista
da Porto Seguro Investimentos, afirmou que, em geral, há pouca demanda de
informações pelos investidores em questões de sustentabilidade. Ela ressalta,
no entanto, a necessidade de se oferecer mais atenção na análise, pois dependendo
da atividade da companhia os riscos ambientais, de responsabilidade social e
governança corporativa podem ser elevados para a carteira de investimentos.
Luiz Fernando Rolla, diretor de Relações
Institucionais da CEMIG, moderou o debate, enfatizando a importância de se
levar em consideração os aspectos ambientais, de responsabilidade social e
governança na análise de investimentos e geração de valor para a empresa,
investidores e demais públicos estratégicos. Luiz Fernando Rolla lembrou que ao
falarmos sobre a importância dos fatores de sustentabilidade esquecemos que o “Lucro
deve ser valorizado como objetivo igualmente relevante sem o que as companhias
não sobrevivem”.
Painel "Mudanças Climáticas e sua
influência na Atividade Econômica"
Sonia Favaretto, presidente do Conselho
Deliberativo do ISE (Índice de Sustentabilidade Empresarial) e Diretora de
Imprensa e Sustentabilidade da BM&FBOVESPA, destacou que o painel foi
especialmente importante, pois o debate ocorreu bem próximo da 21ª Conferência
do Clima (COP 21), que acontecerá em dezembro de 2015, em Paris (França).
Ricardo Zibas, diretor da KPMG,afirmou que a
falta de cuidado com o meio ambiente pode destruir uma empresa. Para
Zibas, estão ocorrendo avanços, mas em geral há muito o que melhorar nos
registros das iniciativas e dos impactos de reflorestamentos, escassez de água
e aquecimento global.
Tasso Azevedo, coordenador do SEEG/Observatório
do Clima (Sistema de Estimativa de Emissão de Gases de Efeito Estufa
do Observatório do Clima), considera o reconhecimento das externalidades
climáticas e a institucionalização dos mecanismos de ação mitigatória mais
importantes do que chegar a um preço de carbono de referência. Disse que a meta
brasileira está na direção correta, mas a intensidade é baixa. Segundo ele,
temos a oportunidade para fazer a transição com metas mais relevantes. Apesar
de o setor privado estar tendo um maior protagonismo, é muito importante a ação
dos Governos, especialmente no Brasil, onde o desmatamento é uma das principais
causas das emissões brasileiras, observou. O SEEG é uma iniciativa do
Observatório do Clima que compreende a produção de estimativas anuais das
emissões de GEE (Gases de Efeito Estufa) no Brasil, de documentos analíticos
sobre a evolução das emissões e um portal na internet para disponibilização de
forma simples e clara dos métodos e dados gerados no sistema.
Denise
Hills, superintendente de Sustentabilidade do Banco Itaú, disse que cada
vez mais os analistas vão precisar levar em conta as práticas sustentáveis em
suas avaliações e que o sistema financeiro internacional terá papel relevante
na transição para uma economia de baixo carbono.
Juliana Lopes, diretora
para a América Latina do CDP (Carbon Disclosure Program),declarou que o CDP (http://www.cdpla.net/pt-br)
fornece o maior e mais completo sistema global de divulgação ambiental.
Atualmente, o CDP conta com 67 investidores-signatários na América Latina (62
brasileiros, 1 argentino, 2 peruanos, 2 mexicanos). Eles representam mais de
10% dos investidores-signatários em âmbito global, movendo US$ 87 trilhões de
ativos, afirmou.
Celso Lemme, professor de Finanças
da COPPEAD/UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) observou
que o principal desafio é fazer um “valuation climático”. “Devemos testar
diversas ferramentas, para conectar a ciência com valor e assim levar mais
conhecimento para os analistas”, frisou. Destacou, ainda, que os analistas
devem se esforçar em mudar seus modelos, abrindo mão da precisão dos cálculos
específicos de preço em favor da abrangência dos resultados empresariais.
Sonia Favaretto, presidente do Conselho
Deliberativo do ISE (Índice de Sustentabilidade Empresarial) e diretora de
Imprensa e Sustentabilidade da BM&FBOVESPA, concluiu o painel observando
que cada um dos analistas “pode ser mais ambicioso na sua lição de casa”.
Painel "O Mercado de Capitais além do Mercado
de Ações"
Susana Peñarrubia Fraguas, diretora da Deutsche
Asset & Wealth Management e EFFAS Representative, enfatizou a importância
de se construir o banco de dados, realizar treinamento e desenhar as metas
internas para cobrir as necessidades dos públicos de interesse. Destacou além
das questões de rating ESG, de rating e risco financeiro, os riscos
reputacionais e a pegada de carbono como informações materiais para a correta
avaliação e decisão de investimentos.
Justine Leigh-Bell, manager of Standards and
Certification Scheme Climate Bonds Initiative (www.climatebonds.net),
destacou os “green bonds” ou “climate bonds”, títulos de dívida atrelados ao
financiamento de projetos ambientais sustentáveis como parte importante do
processo de financiamento da transição para uma economia de baixo carbono e vê
no Brasil um enorme potencial, apesar das dificuldades econômicas atuais.
Fanny Tora, head of South American Markets da
VIGEO (http://www.vigeo.com/csr-rating-agency/),
enfatizou o papel da agência na classificação destacando a materialidades das
questões relacionadas a riscos reputacionais.
Gustavo Pimentel, diretor da SITAWI Finanças do
Bem, apresentou um rating de títulos bancários considerando critérios ESG.
Comunicou ainda que a empresa fechou uma parceria com a britânica Eiris, uma
das líderes globais no segmento de pesquisa socioambiental, que permite acessar
de 3.500 empresas listadas nas principais bolsas do mundo.
Ricardo Tadeu Martins, presidente da Apimec São
Paulo (Associação dos Analistas e Profissionais de Investimento do Mercado
de Capitais), moderou o debate e lembrou que o analista deve buscar que as
empresas tenham transparência em suas informações. “Estamos brigando por isso”,
afirmou.
Painel "Autorregulação e Governança Corporativa: Perspectiva dos
Investidores no Brasil e no Mundo"
Reginaldo Alexandre, presidente da Apimec
Nacional, declarou que o GT Interagentes - grupo de trabalho que reúne 11
entidades do mercado de capitais - está em processo de elaboração do código
único de governança corporativa. O objetivo do Código Brasileiro de Governança
Corporativa é fortalecer as boas práticas e aumentar a transparência das
informações prestadas pelas companhias abertas, minimizando fatores críticos
para a decisão de investimento e, portanto, para a atração de capitais.
Frank Klein, Executive Management Committee of
EFFAS & Deutsche Asset & Wealth Management, enfatizou que os riscos de
fraudes sempre estarão presentes. Aumenta por isso a importância de se observar
os riscos corporativos de impacto social, ambiental e reputacional com mais
rigor nas análises de investimento. O papel das instituições do mercado de
capitais é muito importante para o aperfeiçoamento autorregulatório para
redução dos riscos.
Frank Klein reiterou a
importância do disclosure de informações, considerado o princípio do “pensamento
integrado”, na prestação de contas das empresas.
Carlos Frederico Aires Duque,
diretor-superintendente da Infraprev (Instituto Infraero de Seguridade Social),
afirmou que há muitos desafios para a autorregulação e para a busca das
melhores práticas de governança corporativa e cumprimento do dever fiduciário
(lealdade e prudência) por todos os agentes do mercado de capitais. O
investidor deve fazer o dever de casa de integrar as informações financeiras
com as de responsabilidade social, governança e meio ambiente, enfatizou. “Não
adotar essas práticas é faltar com o dever fiduciário. O avanço regulatório
deve validar as práticas, em especial para investidores com compromissos de
longo prazo como os fundos de previdência complementar”, declarou.
Ramon Pueyo, director of Governance, Risk and
Compliance da KPMG (Espanha), destacou a importância das informações
intangíveis e da redução da perenidade das empresas e enfatizou em especial o
papel da Governança Corporativa que ainda está deixando a desejar em muitos
países da Europa. As forças de autorregulação e governança devem valorizar
quatro vetores de informações: 1) Reavaliar os conceitos tendo em vista o
crescente peso das informações intangíveis na geração de valor das empresas; 2)
Preocupação com a longevidade das companhias que diminui desde o início do século
20; 3) Aumentar as práticas de “due diligence” para identificação das questões
ESG materiais para a sobrevivência empresarial no longo prazo; 4) Permitir a
construção de um ambiente de negócios que permita a sustentabilidade dos
objetivos de longo prazo dos investimentos em ações e títulos corporativos.
Maria Lettini, Associate Director of
Networks and Global Outreach do PRI (Principles for Responsible Investment),
enfatizou a importância de se colocar a sustentabilidade no coração do sistema
financeiro.
Encerramento
Ricardo Tadeu Martins, presidente da Apimec SP,
destacou a honra da entidade ter realizado o evento que é um marco no debate
das questões do ESG no mercado de capitais. Reginaldo
Alexandre, presidente da Apimec, agradeceu a participação de todos.
Zaballos, presidente da EFFAS, disse que
há interesse de se realizar novo evento no próximo ano e parceria em
treinamentos dos analistas e profissionais de investimento.
Eduardo Werneck, diretor de Educação e
Sustentabilidade da Apimec, declarou ao final do evento que foi plenamente
atingido o objetivo da 2ª Conferência Internacional EFFAS (TESGIA - Taking ESG
into Account) ao estabelecer o caminho de aproximação com a União Europeia na
adoção dos fatores ESG (do inglês Environmental, Social and Governance)
aos fundamentos econômicos e financeiros na análise de investimentos. Werneck
afirmou, ainda, que a Apimec vai atuar no caminho da interação entre analistas
e públicos estratégicos relevantes na busca do constante aperfeiçoamento dos processos
de análise, recomendação e decisão de investimentos. A recente filiação da
Apimec como “network supporter” do UNPRI (http://www.unpri.org/) e a atual parceria com a EFFAS e o PRI
vão reforçar o disclosure de informações nesse sentido, conclui Eduardo
Werneck.
Segue a íntegra das apresentações:
http://www.apimec.com.br/ApimecSP/show.aspx?id_materia=36598
Mais informações: http://www.esg-APIMECsp-effas.com.br/